terça-feira, 4 de maio de 2010

Teu Olhar...




Não me vejo sem os olhos teus

Olhos de maldade, que me secam, me atiçam

Olhos de um subto adeus






O que eles estão tentando me dizer?

Falar que tudo é loucura?

Que não passou de ilusão?




Me lembro bem daquele teu olhar

Me tentando, me seduzindo, me amando

Amor que desejo,

Amor que sinto,

Amor que quero...






Amor que maltrata

Olhos que enganam

Sentimento que dilacera no peito

e trás consigo a dor maior

de não lhe ter por perto!







Já que o blog... que de uma bomba-h passou ao famoso "estralinho" (como o nosso saudoso Vitão tanto fala nestes ultimos dias), resolvi aproveiatar o momento poético e colocar uma de minhas "obras de buteco". ALELUIAAAAAAA né Vitão!!! kkkkk



♥Dayane Evelyn♥


sexta-feira, 23 de abril de 2010

Versos de um Amigo Jornalista

Dançando na Chuva II



Os dois caminhavam na calçada da rua
Era noite, noite fria, ventava,
começava a chover...
E o que no início eram poucos pingos
tornou-se logo um forte temporal


O casal, lado a lado, parou de repente
Pressentiu o momento,
Uma história para se gravar para toda a vida,
E começou a brincar, correr,
Rodar, pular, beijar na chuva


Os carros eram indiferentes,
As ruas alagadas e com ondas
pouco se importavam,
As pessoas pareciam não ter olhos para eles...


Se garoto e garota pudessem escolher onde estar,
seria exatamente ali!
Molhados, com frio,
sem proteção, a não ser um do outro,
mas vivendo o presente...
Os únicos naquele momento


Um carro para na rua
Uma garota pensativa observa os dois
Quando o sinal abre, seu carro molha o casal
Os dois sorriem
e beijam-se...
Aproveitavam mais um pouco
o inesquecível para sempre...


por Lucas Cajueiro - estudante de jornalismo
Acessem o blog: Bastardos da pauta

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Brasília, 50 anos

Brasília é construída na linha do horizonte. Brasília é artificial. Tão artificial como devia ter sido o mundo quando foi criado. Quando o mundo foi criado, foi preciso criar o homem especialmente para aquele mundo. Nós somos todos deformados pela adaptação a liberdade de Deus. Não sabemos como seríamos se tivéssemos sido criados em primeiro lugar e depois o mundo deformado as nossas necessidades. Brasília ainda não tem o homem de Brasília. (...) Os dois arquitetos não pensaram em construir beleza, seria fácil: eles ergueram o espanto inexplicado. A criação não é uma compreensão, é um novo mistério"

Clarice Lispector

terça-feira, 20 de abril de 2010

Aviso: Uma semana sem aula

Por motivos de tinta. Tinta muita tinta, nós alunos de História da Universidade Estadual de Goiás, ficaremos essa semana sem termos aulas. O motivo como já citado é a tinta. O forte “perfume” desse produto, que serve para da cor a superfícies desgastadas – no caso a UEG, está sendo decisivo para nós não termos AULAS.

De fato para algumas pessoas o cheiro é no mínimo insuportável. Ninguém merece aprender teorias de histórias – com toda complexidade, sentindo o cheiro intenso de grades de janelas pintadas. Para outros isso é um bom motivo para adiantar os trabalhos e os estudos atrasados. E para os que adoram ir para UEG, ficar uma semana fora das aulas poderá ser uma perda de tempo. Cada um com seus pensamentos todos eles afetado pelo relativismo.

Por isso termino esse aviso citando o nosso poeta do cerrado. “Apesar dos pesares” estamos de volta a UEG, sujeito a todo o tipo de situação desagradável, mais que poderá até ter sido um bom negocio. Que beleza!

sábado, 10 de abril de 2010

Do Livro: VOZES DO CERRADO


... “que escrever é eternizar-se é driblar a morte”...


Ariano Suassuna.



Vozes do Cerrado, nem de longe se propõem uma obra literária, com os rigores literários, linguísticos, estruturais, etc, que normalmente constituem o gabarito normativo que orientam e definem uma composição textual. Quando surgiu a ideia de escrever as memórias e peripécias de uma lendária figura, que habita o imaginário familiar, em nenhum momento e em instancia nenhuma do consciente pululou o desejo de fazer literatura de qualidade ou almejar um Best-seller. Assim desse devanear serelepe e despretendido de um vadio ao sabor dos ventos suaves e refrescantes do Cerrado chapadeiro, entre um café quentinho com boa prosa e biscoito caipira, entre risos e cortes de intervenções múltiplas desabrochou em tom pueril e jocoso o desejo de compilar tantas possíveis historias orais que ali se contavam e recontavam num eterna reinterpretação própria da oralidade. Achei aqueles contos lindos, me eram tão familiares, me falavam tanto com sua simbologia, com seus signos...

Dois amigos boêmios sóbrios de etanol e Cia, mas ébrios de fome de arte, um artista plástico, tecido no seio do catolicismo pagão tão comum da laicidade sertaneja a viver o seu sincretismo sem metria cultivando rios e mitos que não raras vezes não se tem a menor ideia de onde eles brotam ou brotaram. O outro um falante e irrequieto comedor de sua cultura com toda a sua diversidade, amante das rimas e versos ignorante das regras e metrias e abençoado pelo contexto pós- moderno de uma poesia livre e sem amarras...

Decidiu se ali que seria feito um livro como possível fosse, a partir de dois homens e uma multidão de falas, um guiaria, o outro ouviria, um escreveria o outro ilustraria e após faríamos uma prece ao deus do momento que o materializasse de modo a não se esvair. E assim se fez passamos dias de pena e folha à mão caminhando por trilhas e grotas, macegas na coleta de tantas historias que fluíam de lábios, ora saudosos e penumbrados pelo matiz da saudade, muitas vezes incompreensível ou intraduzível, ora com um brilho místico e contagiante que se fazia combustível no redigir dos causos e prosas.

De um punhado de histórias por vezes sem sentido nenhum, mas permeadas de tantos sentidos quanto possa se atribuir a elas, surgiu uma narrativa em rimas e versos que prefiro não enquadrar em nenhuma denominação, mas que desde que se materializou cumpriu mais do que qualquer um sonhou ou quis quando se propôs a escrever, ouvir redigir, corrigir, editar e em fim ler...

Do querer ser imortal e driblar a morte, dando longevidade a um punhado de causos do sertão goiano adentramos em campo tão amplo e diverso que o resultado foi o livro Vozes do Cerrado. Editado em numero limitado, mas infinitamente superior a qualquer propósito de seus idealizadores, lido por uma série de mestrandos e doutorandos da UnB e por um punhado mais de graduandos e graduados que sobre ele desejou por os olhos e apreciar o que esses estrofes poderiam ofertar-lhes em algum momento de leitura e distração. Não que o fato de o leitor ter graduação o redima de algumas imperfeições ou que o leitor letrado seja melhor que o iletrado, já que ler é um exercício que se poder fazer de muitos modos, mas fora lidos por gente da academia que o adotou como material de fundamentação de pesquisa e assim ampliou sua força de se fazer driblador da morte e também fora acolhido com amor e carinho de caipiras e lavradores e lavradoras sem letramento nenhum ou de letramento rudimentar que recebiam mais que um livro de versos e rimas, mas sim, um pedacinho de seu imaginário, de sua história, que nenhum historiador verificou como um fato histórico, mas que o amor a vida simples buscou meios de fazer com que outros ainda que pelas letras de uma poesia singela pudessem render lhes o culto de alguns instantes de leitura, um pequeno objeto para guardar ler e referenciar se quando alguém duvidar de seus causos e contos. “quem conta um conto aumenta um ponto” diz o provérbio do povo quantos pontos terei eu alinhavado no tecer da poesia e assim preenchido lacunas em nome de uma tal coerência narrativa, (mesmo inconsciente kk), o fato é que agora já não é meu ou de João ou Jucelino é de todos e cada um que dele se ocupar no mais agradeço a vida pelo Cerrado e ao Cerrado pela vida com tela contém, pois viver no cerrado é aprender a reconhecer na feiura do bioma e na singeleza de sua biodiversidade o eterno mistério do belo no colo do feio moldando vida e sonhos que se renovam e se eternizam na fala e no fazer da gente da chapada. Vozes do Cerrado é só uma pequenina gota de tanta beleza e vida que habita o “pai Cerrado” e sua família tão diversa.

 
Escritor da obra e do texto
Kiko Di Faria