sexta-feira, 14 de setembro de 2012

As idéias fora do lugar
Livro Ao Vencedor as batatas

Schwarz, Roberto- “Ao vencedor as batatas”- I.  As idéias fora do lugar. São Paulo: Duas Cidades, 1992, 4ª Ed.

Na apresentação do capítulo I. “As idéias fora do lugar” do livro Ao  Vencedor as batatas, publicado em 1977, Roberto Schwarz sustenta que “toda ciência tem os princípios que são originados dentro do seu próprio sistema, e um dos princípios da economia política seria o trabalho livre”. Na propaganda de um panfleto liberal de Machado de Assis colocava o Brasil para fora do sistema da ciência, pois aqui o que predominava era a escravidão, considerada um fato descortês e execrável.“Estávamos aquém da realidade a que esta se refere; éramos antes um fato moral, impolítico e abominável”[1].


Crítico da literatura de Machado de Assis, Roberto Schwarz afirma que o Brasil respira as idéias européias, mas em sentindo totalmente impróprio, e dessa forma seriam problema para a literatura. Segundo Schwarz as idéias por esse prisma estariam fora do lugar, baseado na idéia de Marx que a estrutura determina a infra-estrutura, desse modo o social daria forma à literatura, a grande contradição observada por Machado de Assis no Brasil seria a estrutura totalmente atrasada e colonial, e a superestrutura avançada e liberal. Ainda sob o ponto de vista de Machado o escravismo enquanto persistisse no Brasil, o parlamento seria ao estilo inglês, e Schwarz observava ainda que as idéias que aqui circulavam eram baseadas nos movimentos existentes em Paris, e que estariam fora de centro, se relacionadas ao contexto europeu.

Schwarz encontra uma explicação histórica para afirmar no seu ensaio de que as idéias estariam fora do lugar, isso ocorria pela dependência econômica do Brasil ser baseada no escravagismo e a supremacia intelectual da Europa que era revolucionada pelo capital. Enfim, as idéias liberais não teriam meios para serem praticadas no Brasil, mas não poderiam ser totalmente rejeitadas[2]. Era um discurso incompatível com a realidade escravagista e clientelista existente no País.

O Brasil é um país agrário e independente, e toda a produção era proveniente do trabalho escravo de um lado e de outro a dependência do mercado externo. Independência era um feito recente no país e em nome dos ideais de liberdade franceses, ingleses e americanos, que já faziam parte da identidade nacional, segundo Emilia Viotti  esse conjunto ideológico existente no Brasil iria chocar-se contra a escravidão e seus defensores e tendo que conviver com eles.[3]

A não modernização da mão-de-obra na agricultura no Brasil, segundo Fernando Henrique Cardoso, era de que o escravo não estaria inserido no mercado de trabalho especializado, que apenas iria espichar o dia de trabalho do mesmo, para discipliná-lo, contrário do que era moderno, pois era fundada na violência e na disciplina militar, e a produção escravista era dependente da autoridade mais que da eficácia.[4]

Segundo Schwarz a colonização gerou três classes de população, baseada no monopólio da terra, o latifundiário, o escravo e o homem livre, que na verdade era totalmente dependente, a relação existente entre as duas primeiras classes era clara, porém a classe dos terceiros que era interessante, nem donos de terra e nem proletários e seu acesso à vida e bens matérias era totalmente dependente do favor, direto ou indireto de alguém maior que ele.[5]

Havia de fato uma discrepância entre as idéias liberais, a escravidão e a prática do favor não foi obstáculo para incorporação desses ideais pela elite intelectual e política do Brasil, tendo em vista que a geração de intelectuais se formou em universidades européias, equiparando valores e comportamentos.

“Adotadas as idéias e razões européias, elas podiam servir e muitas vezes serviam de justificação, nominalmente “objetiva”, para o momento de arbítrio que é da natureza do favor “[6]


Schwarz argumenta que o escravagismo desmente o liberalismo e ainda mais o favor seria tão incompatível quanto o mesmo, há um deslocamento e uma distorção quanto à submissão das idéias liberais no Brasil, dando origem a um padrão particular, mas não se ajustando completamente ao local. Para ele ainda a distorção desses conceitos estrangeiros são inevitáveis, pois é o único modo de situá-los em contexto local usando os termos importado. Para Ângela Alonso[7], as idéias não estariam fora do lugar, apenas em movimento, pois muitas são as disputas que permeiam o pensamento político no Brasil, e suas mais diversas interpretações, seja na prioridade do Estado ou da sociedade. Alonso ainda compara o discurso de Sérgio Buarque de Holanda seria o oposto do pensamento de Faoro, que o patriarcalismo surge como herança rural e o Estado patrimonial lentamente são fundados e aprisionados nos círculos familiares, ou seja, o público permanece entranhado no setor privado.


Denise Silva



[1] SCHWARZ, Roberto- Ao Vencedor As Batatas: forma literária e processo social nos inícios do romance brasileiro, São Paulo: Duas Cidades, 1992, 4ª Ed.As idéias fora do lugar- Pg.1
[2] SCHWARZ, Roberto-  Ao Vencedor As Batatas: forma literária e processo social nos inícios do romance brasileiro, São Paulo: Duas Cidades, 1992, 4ª Ed.As idéias fora do lugar-. Pg.12
[3] Ibdem pg 3
[4] Ibdem pg 3
[5] Ibdem pg 5
[6] Ibdem pg 6
[7] Alonso, Angela: Idéias em movimento: a geração 1870 na crise do Brasil- Império_ São Paulo : Paz e Terra, 2002. 3-O sentido da contestação: A reforma da Ordem Saquarema- pg 245


domingo, 12 de agosto de 2012

Comentário sobre as Olimpíadas.


Antes de começar o texto, proposto pelo título da postagem, gostaria de afirmar que também sou a favor da critica que é imposta ao Brasil – que prefere sediar eventos esportivos a lhe dar com reais necessidades e problemas que afetam a saúde e educação brasileira. No entanto, aproveitando o evento olímpico que se encerrou em Londres, gostaria de expor as dificuldades que esportistas ou futuros, encontram a praticar modalidades olímpicas e o quanto o nosso país se mostra amador em relação a falta de incentivo aos atletas. Lembro também que o setor esportivo, embora não deva ser visto como o principal enfoque de investimento, pois há outros, este também tem seu grau de importância para tornar o país justo e desenvolvido. O esporte carrega consigo o desejo do atleta em se superar, mas também a educação e a prevenção da saúde social.


  Portanto retomando ao objetivo deste texto, gostaria de comentar sobre algumas modalidades olímpicas no qual o Brasil participou em Londres e daqui a quatro anos estará sediando. Há certos esportes praticados por brasileiros nas Olimpíadas em que se percebe a total falta de investimento, seja de setores privados ou públicos. Aliás, o que se tem visto em algumas charmosas publicidades nesse momento olímpico, são empresas que se dizem apoiadoras dos esportistas nacionais, mas apenas investem em atletas já considerados favoritos e bem ranqueados mundialmente.

Tudo bem. Nada contra ao investimento que é feito a esses atletas, no entanto concordo – para fugir da temida hipocrisia – que ao investir no esporte deve-se creditar o apoio a todos os ramos do esporte brasileiro, fazer valendo o seu discurso. E mais, o esporte, tal como a educação, não é um investimento que deve ser feito em curto prazo, pois, como todos devem saber, além do treino ser essencial o atleta deve desenvolver algo que já é inerente a ele, ou seja, o talento. Não se descobre um grande boxeador, tenista, ginasta, velocista ou nadador da noite pro dia, mas a partir de uma constante busca e, portanto, constante investimento. Ora, quando se investe, como no mais extremo dos exemplos possíveis, na China os atletas passam a conviver com uma cobrança que é aceitável tanto pela sociedade quanto uma cobrança que se apresenta-se em resultados concretos – vinda em medalhas de ouro, para ser mais preciso. Não acho que o Brasil deva seguir esse mesmo exemplo, a cultura e personalidade social é outra, completamente diferente e a outros melhores exemplos a ser seguido. Mas, sim acho necessário para um país com dimensão como o nosso e que logo estará recebendo as Olimpíadas, se tornar uma potencia do esporte mundial.

 Em alguns esportes se observa a capacidade que o Brasil tem de se tornar, de fato, um grande país no esporte mundial e não apenas no futebol e vôlei. Indo a exemplos. Na ginástica fica claro que o Brasil poderia alcançar melhores resultados a partir de um maior inventivo, embora, os atletas dessa modalidades pareçam amarelões – acho que nesse esporte também não pode haver cobrança. Outros esportes que poderíamos citar, sem desconfiança, seria o judô, natação, boxe e atletismo. Em todos esses esportes o Brasil já teve ou ainda tem grandes nomes e atletas que poderiam influenciar tantos outros.

Em fim, gostaria também de aproveitar nesta postagem e lembrar outras modalidades que diferente dos esportes sobre-citados, o Brasil apresenta-se uma boa estrutura e que por sua vez a cobrança é feita ou deveria ser feita. No futebol “masculino” há uma explicação bem clara do motivo pelo qual ele é tão cobrado nas Olimpíadas... Diga-se de passagem, uma cobrança merecida, pois os jogadores que estão em Londres e buscam pela inédita medalha de ouro, tem totais condições (altos salários e estrutura) para se garantir como favoritos e colocarem na pratica  essa condição. Utilizei aspas no gênero masculino, pois no caso do futebol feminino a falta de investimento passa a ser quase calamidade, se resume em termos a melhor jogadora do mundo, mas temos os piores dirigentes do mundo.  Outros esportes que deveriam ser mais cobrados, mas que não é tanto, seria o vôlei e o basquete. Nos dois casos, observa-se uma tradição que deve ser carregada com os jogadores e que os atletas que os praticam também possuem no Brasil ou lá fora condições para se colocarem bem em suas práticas esportivas.

Esta postagem mostra também o quanto o Brasil parece está sempre mais forte em esportes coletivos do que em individuais é um caráter nosso, mas que pode ser melhorado se for investido e posteriormente cobrado.  

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Somos Políticos e Eleitores

Todos os dias, com profundidade ou superficialmente refletimos sobre a situação política de nosso município. Quando reclamamos, da fila no banco, quando reclamamos da precariedade do atendimento à saúde, da ineficiência da educação disponibilizada, quando falamos da já naturalizada e tão familiar corrupção... Sempre estamos refletindo sobre o modo com que a política atinge nossa vida prática.

Não é preciso ser grande conhecedor dos modos com que opera a política e os políticos, para se colocar a dar a sua opinião, a posicionar sobre isso ou aquilo. A explicação para isso o filósofo já nos oferecia há alguns séculos antes de Cristo, dizendo que o homem é (um ser cívico, naturalmente dado á política). Somos assim, políticos, por aptidão natural, a política se inscreve em tudo que fazemos, inclusive quando tentamos nos afastar das querelas político-partidárias e assim, tão altivos batemos no peito e dizemos: “Não sou político, graças a Deus! Eu detesto política!”.

Ora, não há como negar, Aristóteles tinha alguma razão!O homem é, por natureza, “um animal social e político” (zoon politikon). “Aquele que não precisa dos outros homens, ou não pode resolver-se a ficar com eles, ou é um deus, ou é um bruto (selvagem)”. (Cremonese. 2008.p 130-131)”.

O homem tem a política inscrita em si e ela se traduz em suas ações, norteia e orienta seus anseio, sonhos, e desejos, de modo organizado, em partido, em religião, em artes, etc. em tudo administramos o mundo para dar conta de responder as questões que a vida nos oferece. Desde a questão simples de como colocar pão à mesa? Como arranjar um emprego, qual é a melhor opção para isso ou aquilo? Até questões mais complexas como, quem é o melhor candidato? Como solucionar o problema da educação? Como melhorar a saúde? Etc. Quando se vive em sociedade é ainda mais patente essa força do viés político na vida da pessoa. Assim é muito difícil ao individuo escapar a essa dimensão de sua vida.

Este ano, mais especificamente nestes dois meses (agosto e setembro) as pessoas ver-se-ão enredadas em querelas políticas, seja por vontade própria ou pela imposição dos aparatos eleitorais sempre a veicular suas mensagens, no afã de persuadir de algum modo o eleitor. Desde um som renitente, a uma visita inusitada em horários inoportunos, até programas midiáticos de alta técnica em horários específicos nos meios de comunicação. Por todos os lados e de todos os modos a política no seu sentido partidário, estará imperante a tocar o cidadão oportuna e importunamente. Trata se de ano Eleitoral e a Eleição é mais uma dimensão do universo político.

O homem não é só político é também eleitor. E estas dimensões se imbricam uma na outra. Se por um lado o ser político parece mesmo ser inerente à condição humana, por outro o ser eleitor, não. O ser eleitor depende da filiação eleitoral ao cadastro de eleitores, onde te facultam um título eleitoral, depende da obrigatoriedade do voto, que no Brasil é regente. Então o ser eleitor é condicionado, pode o individuo ser um eleitor em potencial, mas essa dimensão só se realiza sob certas condições.

No período eleitoral, ou seja, nos trimestre que compreende o tempo da eleição, tempo de registrar candidaturas, preparar materiais e propostas e veicula-las para o público, a política se efetiva como prática, com ação comum, visível e irrefutavelmente contagiante. Contagia-nos positivamente e negativamente, dependendo de cada caso e contexto. Mas onde e como anda a nossa consciência politica? Como ser politico e eleitor?

No Brasil nossa dimensão política é negligenciada, preferimos o epiteto de que “política e religião não se discute!” ao trabalho do desenvolvimento intelectual, que permite-nos desenvolver capacidade para analisar e compreender os meandros políticos e partidários que constituem o labor eleitoral.

Estamos em pleno processo eleitoral, e como temos participado desse momento? No sistema de governos que temos em nosso país, que se pretende democrático e de fato temos a melhor democracia que o capital nos permite. O voto é obrigatório, ou seja, o individuo é eleitor por imposição sistêmica. Mas como encaramos isso e como vivenciamos essa realidade?

Votamos, justificamos, participamos... Direta ou indiretamente nossa ação ou inação incide sobre os resultados do processo eleitoral. Mas o comprometimento com que cada um abraça ou refuta sua condição política e eleitoral é o responsável por nossas questões cotidianas e também pelas possibilidades que temos de conseguir responder ou não, as questão básicas da sobrevivência, da vida como um todo.

Hoje em cada município brasileiro, grupos de políticos se apresentam sobre a bandeira partidária, das mais variadas, com propostas e soluções para problemas que não raras vezes são crônicos, perduram desde os dias mais recuados da vida dos municípios. Problemas, como, a falta de emprego, o pouco desenvolvimento municipal, a incapacidade do município de solucionar problemas que agridem e dificulta a vida, como seca, fome, moradia, saúde, educação, segurança, violência etc. Por outro lado está o público, a massa de eleitores, que se posiciona no afã de decidir qual das vozes lhe fala com mais agradabilidade, qual das vozes lhe oferece a melhor proposta e a melhor oportunidade.

Nesse cenário, é complexa a rede de relações que se estabelece. De partido a partido, de liderança a liderança, de bairro a bairro, de liderança a indivíduo, de grupo a grupo. Em cada um desses espaços as relações acontecem de um modo peculiar. Mas todos estão enredados pelo momento eleitoral e muitas vezes perde-se de vista a dimensão política, reduzindo o momento a barganhas e negociatas, que mui pobremente consegue responder a questões momentâneas. Deixando lesões profundas na vida das sociedades, aumentando as diferenças, ressaltando injustiças e promovendo a manutenção de um sistema pernicioso, que só pode ser superado, quando o eleitor for norteado pelo seu ser político. Mas para isso cada eleitor precisaria assumir como sua a tarefa de desenvolver-se como ser político, alimentar a sua dimensão política, nutrindo seu ser político e permitindo que  ele aflore e se mostre, pois assim independente do grau de envolvimento partidário cada individuo estaria capaz de dar eficiência ao seu ser eleitor, por que sua condição básica o ser político, não seria um faminto desfigurado, analfabeto e desnudo, mas sim um bem nutrido ser capaz de ajudar o ser eleitor a cumprir do melhor modo sua função eleitoral.

Como transformar o momento eleitoral num momento de edificação da sociedade em busca de liberdade e bem estar de seus membros e superar essa condição deplorável de feira de interesses particulares e escusos onde a igualdade de cidadania, não existe e se a política é praticada por iguais, é sem dúvida por uma igualdade que faz os agentes políticos aparecerem a todos como algozes da sociedade e não como líderes legítimos que representam e norteiam a sociedade para um caminho de superação, garantindo a cada passo bem estar aos seus membros em toda a sua diversidade.

A teoria do Estado em Hobbes é a seguinte: quando os homens primitivos vivem no estado natural, como animais, eles se jogam uns contra os outros pelo desejo de poder, de riquezas, de propriedades. No estado de natureza existe insegurança; não há lei ou norma, cada um faz o que bem entende. No estado natural o homem goza de liberdade total, tendo todos os direitos e nenhum dever. Sendo, porém, sua natureza egoísta, cada um busca satisfazer os seus próprios instintos, sem nenhuma consideração pelos outros. Segue-se uma luta de uns contra outros, na qual o homem se porta em relação ao outro como um lobo. (Cremonese. 2008. p.130-131).

Ora, o que se vê no ambiente político nacional é um regresso ao estado natural, haja vista que a legislação é ineficiente para conter a fúria dos agentes políticos que as atropelam e burlam, de modo cada dia, mais grotescos e desavergonhados. Sem moralismos ou ressentimentos, mas se há razão no que Dijalma Cremonese argumenta, fica evidente que caminhamos para um estado primitivo onde o homem é o lobo de si mesmo. E esse primitivismo de estado engendra em si o agente politico e o eleitor, pois ambos se posicionam como corruptos e corruptores, corrompem o projeto de uma sociedade livre e democrática, onde cada indivíduo exerce suas faculdades em prol do coletivo, compreendendo sua dimensão individual como parte do coletivo, não em detrimento deste.


Joaquim Teles - Kiko di Faria


Referência 
CREMONESE, Dejalma. Teoria política – Ijuí: Ed. Unijuí, 2008. – 220 p. – (Coleção educação à distância. Série livro-texto).

terça-feira, 17 de julho de 2012

O brasileiro e seus heróis

A nossa ultima semana foi marcada por dois acontecimentos que movimentaram as ferramentas midiáticas e as redes de interatividade sociais, causando êxtase e uma diversidade contínua de paradoxos nos mais diversos meios da nossa sociedade. Os tais acontecimentos citados foram a luta do brasileiro Anderson Silva contra o norte-americano Chael Sonnen pelo UFC e o resultado da enquete organizada pela emissora britânica BBC transmitida pelo SBT sobre qual “O maior brasileiro de todos os tempos”.

Em síntese, dentro desses eventos distintos eu averiguei um objeto comum entre os dois, sendo ele a carência que nos brasileiros carregamos em relação à existência e ate mesmo construção de heróis nacionais, de mártires que nos representem e despertem em nós motivo de orgulho e honra em ser brasileiro.

O confronto do brasileiro Anderson Silva contra Chael Sonnen há tempos já gerava grande expectativa em todo público pelas acidas e agressivas provocações do norte-americano contra o brasileiro e contra o Brasil, ao passo que a vitória por nocaute técnico foi interpretada como a defesa da honra nacional e o lutador intitulado como o grande defensor e grande herói. Longe de mim me atrever e ate mesmo ser hipócrita em questionar as qualidades do Anderson Silva como lutador, sem soma de dúvidas o reconheço como o melhor de sua categoria e um dos melhores de todos os tempos, mas o que quero chamar a atenção e em relação aos atributos que o mesmo exerce para ser taxado como “herói”? Primeiramente, o mesmo recebe uma bonificação milionária pra entrar no octógono, e com provocação ou sem provocação do rival ao Brasil ele estará lutando, mas sem dinheiro e sem contrato, não estará. Acredito que apenas uma luta não pode ser um motivo categórico para se taxar um homem como herói nacional, sendo que a maioria dos brasileiros que lhe deram esse titulo não sabem que o mesmo mora em Los Angeles nos Estados Unidos e não em uma cidade brasileira e além de tudo usufrui de todos os artefatos estrangeiros que tem direito. Temos um herói que habita outro país e não sua pátria-mãe? Que projetos sociais, políticos, ecumênicos e econômicos esse herói exerce no Brasil além de lutar por prêmios milionários? Aonde entram os nossos lutadores de todos os dias, como professores, policiais, bombeiros, médicos dentre outros que por ressarcimento financeiro bem menor fazem coisas bem mais relevantes e não são reconhecidos? Essas são algumas interrogações que comprovam a tese do imediatismo, onde simplesmente não importa como foi realizado o ato, mas apenas a relevância que o mesmo gera momentaneamente.

Seguindo a mesma linha de raciocínio, depois de assistir o programa do SBT "O maior brasileiro de todos os tempos", fiquei alarmado com o quanto a sociedade brasileira não tem conhecimento da própria história, da própria cultura. Dentre os 100 citados no programa (inclusive o Anderson Silva), pessoas que não fizeram projeto social algum e nem buscaram uma repercussão positiva ao Brasil foram votadas! E os alicerces de nossa história que foram esquecidos, mas lutaram como leões pela integridade do Brasil como nação, como unidade, como país? Homens como Tiradentes, primeiro figura a lutar por um regime democrático e federativo no Brasil pagando com a forca e o esquartejamento de seu corpo o preço desse ideal, José Bonifácio, Gonçalves Ledo, pilares da independência brasileira, José do Patrocínio, grande intercessor pela abolição dos escravos, Visconde de Mauá, grande incentivador da industrialização e primeiro industrial do Brasil, Aleijadinho, figura emblemática e artística da cultura brasileira, Duque de Caxias, patrono do exército brasileiro e grande personagem militar e político; Benjamin Constant, Quintino Bocaiúva, Rui Barbosa, grande elementos da emancipação republicana do Brasil dentre muitos outros personagens de nossa história que minha memória não há de lembrar com exatidão e merecimento nesse momento, onde eles entram, em que patamar figuram? Essa interrogação e algo a se preocupar e a se repensar.

Recapitulando a tese do imediatismo, creio que isso se reflete na sociedade brasileira pelo simples fato de termos uma educação precária em nosso país. Crianças se orientam muito mais pelo que assistem na televisão do que pelo que leem nos livros ou escutam dos professores. Personagens históricos com relevância primordial para o Brasil seja na politica, na economia, na literatura, nas artes, na ciência, na música e em outras vertentes, cada vez mais tem seus nomes e seus legados apagados pela falta de instrução de nossa sociedade. Em contraposto a isso, figuras que surgem do nada e são exploradas pela mídia aparecem com uma repercussão tremenda, sem ao menos se esforçar e fazer algo relevante para o crescimento do país, recebendo representações de “Heróis Nacionais”. Qual a relevância maior que pessoas como Luan Santana, Michel Teló, Joelma do Calipso, Dedé zagueiro do Vasco Gama exerceram para figurarem como mais importantes do que Machado de Assis, Carlos Chagas, Marechal Rondon e Luiz Carlos Prestes? Isso soa como o mesmo que cuspir na cara desses e de outros que lutaram por um Brasil melhor e mais justo.



Em um apanhado geral, nós brasileiros não sabemos definir e julgar nossos heróis, ou simplesmente não temos conhecimento do conceito e significado de herói. Mais difícil ainda é definir um parâmetro que justifique isso. Eu me apego à ausência de uma educação mais incisiva e mais detalhista, com mais conteúdo e mais exploração histórica, outros se apegarão a outros motivos. O fato é que ficam a encargo de nós historiadores, cientistas sociais e demais responsáveis pela educação não deixarmos se apagar no tempo, esse tão ingrato tempo, a chama que ainda está acesa para relembrar nossos verdadeiros e autênticos heróis nacionais.


Leonardo Valadares

domingo, 1 de julho de 2012

Recomendamos: Na moral com Pedro Bial




Iniciando a nossa seção recomendamos, vamos começar com uma hipótese, pois este programa nem ao menos foi estreado, mas tendo em vista as chamadas que podem ser vistas no vídeo acima, pode-se esperar um bom entretenimento que podera ser assistido em um canal aberto. O novo programa da rede Globo estreia no dia 5 de julho e promete discutir temas relevantes e de uma forma descontraída. No entanto, como ainda pode ser observado na chamada, o novo programa  coloca em dúvida o seu formato, há promessas, mas não sabemos se será um programa jornalistico, de entrevista, de debate. Não se sabe. Na Moral afirma, no entanto, trazer como conteúdo temas envolventes sob a apresentação de Pedro Bial.

Sobre o apresentador do programa, há certos paradigmas que foram criados em torno do jornalista Pedro Bial. Durante quase uma década, Bial esteve apresentando o reality show, denominado Big Brother Brasil. Definitivamente essa forma de entretenimento está longe de ser o ideal para a televisão brasileira. Bial como jornalista tem seus méritos. Além de um ótimo texto televisivo, Bial também esteve registrando alguns importantes acontecimentos como a queda do Muro de Berlim e o fim da URSS. Poucos repórteres tem a capacidade de fazer uma matéria de fôlego, sem apresentar entrevista, Pedro Bial consegue esse feito sem perder em qualidade, mas isso se garante perante a seu texto. Por isso em minha opinião, ao tratar o apresentador do Na Moral como um jornalista televisivo, o considero um dos melhores do país. Já o problema e a critica que pode ser feita a ele está apresentando os sequentes BBB’s, considero esse fato ser um erro grave que lhe foi imposto pela falta de aproveitamento e criatividade de sua emissora de trabalho. A rede Globo é assim mesmo. Ora, o que se pode esperar de uma emissora que manteve Chico Anysio fora do ar durante seus últimos anos?

Tendo em vista esse novo programa e para não encerrar a postagem com critica, Na Moral apresenta como conteúdos temas recorrentes para a atual sociedade. Perguntar, por exemplo, “o que é o Certo, o que é o Errado, o que é Justo ou Injusto, Normal ou Anormal?” são indagações interessantes e que se divergem em múltiplas possibilidades de opiniões. Portanto, o programa além de ser de auditório, trará mais de uma opinião, algo que desencadeia ao telespectador tomar sua própria posição. Portanto, haverá os temas sendo informados, as perguntas feitas, as opiniões debatidas e por fim sua posição restabelecida, com novos argumentos.



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