sábado, 6 de agosto de 2011

Rede Social no Bomba - H

Agora temos o nosso twitter. Essa ferramenta, comum entre os internautas, é uma novidade para os leitores do Bomba – H. Embora pouco conhecido, por nós administradores do blog, devemos nos adaptar a essa “nova” rede social, pois trata-se de um micro-blog famoso e usual no mundo dos nets.











Não somos políticos, portanto não vamos prometer nada, mas muitas outras novidades ainda surgirão nesse semestre de 2011. Aderirmos o twitter para aumenta o número de internautas que poderão ter contato com este blog. Além dele também possuímos nossa comunidade no Orkut que até o momento, desta postagem, possui cinco membros... Devo admitir que não tenno dado tamanha importância para essas novas opções que a internet oferece, mas como diz o ditado: “nunca é tarde para começar.” Por isso vamos aproveitar esse começo de semestre para nos adaptarmos a essas redes sociais e oferecê-las aos nossos seguidores.

terça-feira, 12 de julho de 2011

A máfia verde e amarela


O Brasil é mundialmente conhecido como o país do futebol. Também somos conhecidos pela qualidade administrativa “duvidosa” de nossos representantes, ou para melhor dizer vivemos em um país que é governado pela corrupção. Conforme é de se perceber nessa reportagem da emissora Record, que dessa vez trouxe um conteúdo de qualidade, esses rótulos parecem se relacionar de formas intimas. Principalmente quando a investigação é feita em prol a denunciar os poderosos e chefões que insistem no interesse do próprio bolso.

O livro 10 Reportagens que abalaram a ditadura traz o seguinte trecho: “Jornalistas, alguns pelo menos, tem o saudável hábito de contar histórias que os poderosos de turno adorariam deixar nas sombras. Se os poderosos de turno detêm poder absoluto, então, fazem absolutamente de tudo para que tais histórias permaneçam indefinidamente longe das vistas do público.” Embora essa citação se refira a outro período da história brasileira, essa pode ser perfeitamente usada em alguns casos. Por exemplo, o presidente Ricardo Teixeira da CBF e a emissora rede Globo se encaixam perfeitamente nessa citação. Alguém ali é o poderoso de turno e outro não cumpre seu papel que seria o “funcionalismo” democrático da imprensa. Obvio que não somos inocentes. Sabemos que se existe dinheiro rolando existe interesses; vontades essas que algumas vezes são maquiadas pelo discurso de objetividade e imparcialidade, tudo isso a favor de nós brasileiros.

É uma graçinha assistir o apresentador Galvão enchendo a boca para dizer das exclusividades, das competências que sua emissora possui. Diante desse vídeo acima, surge a pergunta: como nós brasileiros, que temos como nossa principal emissora do país a TV Globo, ficamos?
“Sei lá, sei lá. A vida é uma grande ilusão
Sei lá, sei lá. Eu só sei que ela está com a razão”
Mas vamos deixar essa pergunta de lado, pois a questão central da reportagem passa a ser o poderoso chefão do futebol. O senhor Ricardo Teixeira foi denunciado pelo jornalista investigativo Andrew Jennings , autor do livro Jogo Sujo. O livro traz investigações que estremecerão as estruturas da FIFA, para Jennings o Brasil deveria aproveitar o momento para expulsar o presidente da CBF, em vista que já vivemos num momento democrático, portanto não deveríamos admitir que esse presidente, que está há anos no poder, continuasse sendo o dono do futebol brasileiro.

Definitivamente não podemos nos cegar para isso. O futebol é visto como a nossa paixão nacional. Quando estamos no contexto de uma Copa do Mundo nos sentimos unidos. Embora nem todos gostem desse esporte, a minoria, ainda sim ouvimos dizer de forma subjetiva que a nossa seleção brasileira é um patrimônio nacional. Diante de todas denuncias e do chefão no poder desse patrimônio, insisto na mesma pergunta: como nós ficamos?


Outra reportagem, mais detalhada, feita pela Record:
clique aqui

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Entrevista sobre pesquisa

Três professores frente a frente com o gravador. Nesta postagem, o Bomba – H tem a honra de trazer, para o seu conteúdo, uma entrevista feita por nós alunos aos professores: Álvaro Regiani, Juliano Pirajá e Marcelo Brito. Trata-se de uma entrevista sobre o tema pesquisa, ao longo dela o leitor poderá acompanhar respostas firmes, sérias e alguns momentos de humor.

Dessa forma o Bomba-H agradece aos professores, pois o blog ganha uma nova dimensão intelectual. Sem mais delongas, pois a entrevista é extensa deixo o leitor diante da postagem que talvez seja uma aula, em plena as férias, sobre o tema sobre-citado.


Qual a necessidade de preparar o aluno para lidar com a monografia ?

Juliano Pirajá: Em parte o curso é isso. O trabalho de monografia ele só vai ser bom se tiver uma boa escrita, boa orientação, boas fontes e dedicação. O curso é uma ferramenta, pois ninguém chega aqui na Universidade pronto, se deveria chegar com mais inquietações, mas tudo bem não está se chegando em nenhum lugar. Mais eu acho que o curso ele é o lugar por excelência.
Agora quanto às disciplinas, como se tem aproveitado esses conteúdos? O que está faltando nessas disciplinas? Eu sou muito critico em relação em como as coisas estão. Aula de Antiga, de Medieval, de Moderna eu acho que isso tem atrapalhado um pouco perseguir trabalhos melhores ao final do percurso. Essas repartições ainda segregam muitas possibilidades mais amplas de compreensão do objeto. Nisso eu acho que é uma falha, mas não é somente nossa do curso de História, mas como estamos falando do nosso curso então é uma falha nossa – da grade. Também acho que é muito difícil de mudar isso, as melhores universidades do país ainda estão prisioneiras dessa grade.
No mundo moderno, na velocidade em que as coisas se dinamizam, nas possibilidades de leitura que a gente tem no apertar de um clique, esses tipos de repartições têm prejudicado os bons trabalhos. Não tenho certeza, pois isso é uma opinião, mas o que penso é que se a gente tivesse uma formação mais plural, isso facilitaria bastante. Se tivessemos ainda mais possibilidades. Pensar, por exemplo, ao invés de História do Brasil, pensar aspectos, como a política brasileira em fim, outras divisões talvez dessa forma pudessemos ter melhores trabalhos.

Marcelo Brito: Não querendo fazer uma mea culpa para os professores, mas eu vejo que a figura do aluno em uma Universidade é central para a experiência do ensino e da pesquisa. Porque se até ali no ensino fundamental, no ensino médio a gente aceita um aluno que seja mais passivo ou puramente receptor do conhecimento, na Universidade é a hora que ele tem que se colocar como um sujeito na produção daquele conhecimento. Eu acho que a Universidade tem uma grande função social, mais importante até do que preparar um novo profissional para o mercado, que é auxiliar o aluno a se tornar um sujeito. E isso significa o quê? Eu acho que os alunos chegam do ensino médio ainda muito dentro dessa nossa cultura de massa, o que é natural. A função da Universidade é tirar esses acadêmicos dessa cultura de massa, mostrando que ela é relativa, que ela é uma construção, que podemos também produzir algo além dessa cultura de massa. Ao fazer isso, o aluno se torna um sujeito de fato. Recupera algumas reações genuínas, é capaz de relativizar a influência das demandas culturais sobre a personalidade. Quando um aluno torna-se um sujeito e consegue materializar esse processo de amadurecimento na pesquisa, os resultados são os melhores possíveis para a universidade e para a sociedade.

Álvaro: As vezes eu fico me perguntando: como é que as pessoas se acostumam sempre a produzir o mesmo? O Marcelo tocou no ponto que é essa produção em massa, que é a fabricação de sempre a mesma coisa. Diante disso então é que volta a culpa a ser colocada sobre os alunos. Pois tem que ser feitas novas perguntas, por isso que é necessário essa inquietação do aluno.


Como vocês vêem à pressão em produzir esse último trabalho acadêmico?

Marcelo Brito: Eu tenho acompanhado nesses dois últimos anos os trabalhos de conclusão de curso aqui na UEG, e vejo que a pressão pelo prazo é muito importante. Pois esse prazo gera uma pressão no aluno e ele acaba resolvendo os conflitos que surgem na realização da pesquisa, dessa forma chegando a algum lugar. Sem o prazo, a inércia acabaria vencendo. Eu torço para que o aluno chegue ao melhor lugar possível, que o aluno goste da experiência da pesquisa, que tenha prazer, e isso muitas vezes acontece. Essa pressão pela data, em que não há mais tempo a perder, isso portanto costuma ter um efeito persuasivo no sentindo de fazer o estudante chegar ao tema e realizar a pesquisa.

Juliano Pirajá: A pressão tem haver com o nosso fazer. É exigência nossa, pois a hora da monografia é a hora “H”. Eu também me pergunto sobre esses prazos, mas aqui pra nós, vocês têm um ano de preparação – projetando, pensando, falando só sobre isso e depois mais um ano com o acompanhamento de outro professor que vai cobrar outras coisas em cima disso. Então vocês têm dois anos de trabalho efetivo. Agora se é possível fazer uma monografia em dois anos? Dá pra fazer até duas, até três, quatro. O que é difícil nessa hora, em minha opinião, é que o aluno percebe que ali é ele quem avalia ele mesmo. As avaliações mudam, ele vai começar a "se sentir" quando for começar a escrever a primeira frase, no primeiro capítulo da sua boa idéia. Supondo ser um aluno que estudou, que trabalhou, na hora que ele sentar para fazer a monografia ele vai perceber na frente dele ele mesmo. Não mais uma pergunta, com o questionamento dirigido de um professor, não mais uma resenha e nem artigo com idéias subjetivamente impostas no processo de ensino-aprendizagem. Ele vai está frente a frente com o tema dele, com ele e com a maneira que ele vai querer dizer sobre aquilo. E ai meu amigo é onde a “porca torce o rabo.”
Quanto mais sério o pesquisador for mais doloroso é esse parto e isso é bom em certo sentindo. Não pode passar para os exageros, para as cobranças exageradas, sair rasgando tudo. Então eu acho que essa é a pressão mais difícil nessa hora, menos o prazo e mais o compromisso.



O que vocês diriam para àqueles acadêmicos que se encontram no inicio do quarto ano sem tema e sem inquietação?

Juliano Pirajá: Não existe tema que cai do céu. O que eu acho que acontece hoje em dia e que não deveria acontecer é que muitos chegam ao curso sem vontade de estar nele. Muitos se descobrem ao longo do curso e outros, na metade do curso, só querem os seus diplomas. Então para grande maioria desses que chegam ao quarto ano sem esse bichinho da inquietação, são os mesmos acadêmicos que se descobriram ao longo do curso e agora só querem concluir. Agora pode acontecer também de bons alunos – críticos, responsáveis – chegar ao último ano sem tema. Mas aí há uma diferença. Esse tipo de aluno que foi compromissado nos anos anteriores, ele chega com muitas idéias.
O que é engraçado é que a gente escuta nos corredores: “pô professor me empresta um livro ai para mim abrir meus horizontes.” E eu fico perguntando: “Livro de quê? De quem?” Eu acho que esse bichinho da inquietação ele não surge por acaso, ele depende da erudição, das leituras feitas durante o curso, das curiosidades. Então eu acho muito difícil para um aluno que tenha tido esses esforços que chegue ao quarto ano sem inquietação: ele chega com várias. Ao contrário, esses sem inquietação é um tristeza, mas a Universidade deve saber lidar com eles.

Marcelo Brito: Esse diagnóstico que o Juliano faz, reconhecendo dois tipos típicos de atitudes de alunos, é preciso. Realmente é isso que a gente percebe. Ao mesmo tempo em que chegam alunos transbordando idéias, o que num primeiro momento torna difícil chegar em um único tema, existem outros alunos que o curso parece que não fez tanto sentido, querem mais o diploma, tem aquela visão pragmática.


Álvaro: Ou o suicídio ou restabelecimento. Tirando os bons alunos como o Juliano citou tudo bem.
Eu acho que não deveria se formar tanto historiador, vejo como uma coisa muito supervalorizada e que realmente está faltando erudição. Você pergunta sobre os clássicos, ninguém leu, pergunta sobre historiografia brasileira, no qual a gente vive, ninguém leu. Mas ai os caras utilizam do velho jargão do culturalismo e do marxismo, lê algumas obras essenciais, mas não se aprofunda em nada. Então para esse tipo de pessoa: pegar um ônibus 06:30, almoçar meio dia, voltar pro trabalho, ligar a televisão e sonhar em consumir é a melhor coisa, mas esse lugar não é espaço da academia. Se a pessoa não se inquieta com as coisas sobre a vida ela pode pegar o ônibus todo o dia que não vai se incomodar. Mas na academia é o lugar para você se inquietar, perguntar sobre sua vida, se perguntar sobre seu presente, sobre seu passado, tentar projetar o futuro. Por isso eu acho que se você não tem uma inquietação no quarto ano ou no primeiro ano, suicídio é a melhor coisa. *O suicídio que eu falo não é a morte física é o suicídio acadêmico.


Qual o erro mais comum dos TCC’s em nossa Unidade?

Marcelo Brito: Nesses dois anos que estou à frente da disciplina Monografia II, percebi que existe uma séria dificuldade em relação ao momento da escrita da monografia. E esse é um problema grave. A escrita, na sua função mais básica, ela tem que se prestar como instrumento de comunicação pelo o qual o pesquisador transmite seus argumentos sobre o que foi encontrado na pesquisa. Já no sentindo mais amplo, a escrita é a própria narrativa histórica como parte do processo do conhecimento: na narrativa é que o sentido se constrói, por ela se relacionam as fontes, por ela se realiza o diálogo com os autores. Ou seja, o momento da narrativa histórica é fundamental na pesquisa e existe uma grande dificuldade em relação a esse momento na monografia em História. Na minha opinião, parte desse problema vem da nossa grade- horária: o curso oferece apenas uma disciplina de dois créditos que é Leitura e Produção de Textos, e isso é muito pouco para um curso que depende tanto da escrita.


Quais os temas que estão em falta e os temas que estejam na moda hoje para as pesquisas históricas?

Juliano Pirajá: Falta um trabalho, um clássico trabalho, sobre Getúlio Vargas, faz tempo que a gente não vê esse tipo de trabalho. Temas que eu acho que estão disponíveis, por exemplo, é a televisão menos ela em si, mais o produto que ela produz ou que ela produziu. Mas temos que entender que esse tema que estar “na moda” como aquilo que faz sentido hoje, que todo mundo está dialogando. Até porque não tem nada pior do que você está estudando o “umbigo de Adão” sozinho, é melhor você estudar um tema que tem dez pessoas estudando do que você estudar um tema em que o pesquisador está sozinho. E vejo também que falta um esforço no sentido de produção teórica, eu acho que a produção brasileira ainda está muito aquém do que pode produzir. Ainda vejo muita falta de audácia para dialogar teoricamente, escrever livros de teoria, pois são poucos os historiadores que escrevem sobre esse tema. Não sei se o mercado editorial evita publicar, que se diz respeito somente a historiadores, em contra partida a gente vê outros temas de história, percebe que o nosso passado tem sido revirado, tem sido publicado várias e várias edições sobre tudo e não estou me referindo ao mercado editorial de história como ruim, acho que está cada vez melhor e cada vez mais amplo.

Agora com relação aos temas mais pujantes. Eu diria que tem um jeito de fazer hoje, que parece está na moda. Na moda nesse sentido que já falei, para o pesquisador poder dialogar e que leve em consideração os desenhos daquilo do que vem se chamando, aqui no Brasil, de História Cultural. Isso está na moda, tem orientação disponível em diferentes universidades, são textos profundamente publicados tanto por editoras menores como maiores, se o pesquisador souber escrever fatalmente ele vai encontrar um caminho de publicação. Agora eu como professor sinto falta de temas como de teorias, historia social, acho que isso perdeu muito o fôlego, e vejo que a história do tempo presente está fervilhando.
Outra que vale dizer é que eu orientei na UEG de Formosa somente um tema sobre História Antiga. Não que a Grécia, que a Roma tenham perdido o sentido, que Egito tenha perdido o exotismo. Ainda o Egito continua exótico, ainda a Grécia é a infância da Europa, portanto a nossa, e Roma é um exemplo de império... Essas entidades, sobre o nosso passado, ainda está muito presente para o debate do historiador, ou seja, essas discussões são contemporâneas, mas não existe um trabalho que abrange a disciplina de História Antiga.

Álvaro: Se não quiser seguir esses temas que estão na moda vai fazer filosofia, sociologia, antropologia pegar outras linhas de pesquisas e ir à outras universidades. Uma coisa que eu acho é que os estudantes não deveriam ficar presos é pensar que a UEG - UnB. Está certo que é um bom caminho, um lugar que todos nós trilhamos, mas a questão é que existe mestrado em outras Universidades em outros países. Eu sei que a moda na UnB é “historia cultural”, agora se você pegar o universo da USP e da UNICAMP, o pesquisador vai encontrar outros ambientes por lá. Você tem outras possibilidades, o pesquisador faz uma pesquisa sobre quais os temas mais recorrentes em outras universidades, são outras linhas de pesquisas.


(...) O historiador consegue produzir uma monografia sem o auxilio das fontes, somente por leituras bibliográficas?

Juliano Pirajá: Eu diria que é possível fazer um trabalho de História. Desde que o pesquisador deixe claro que está fazendo uma historiografia. Ou seja, está vendo o seu trabalho com determinada escola, ou determinado número de pensadores, ou só um pensador especificamente. Mas em minha opinião eu acho ruim um trabalho sem fontes. Não que o trabalho de historiografia seja ruim pelo contrário, mas um trabalho historiográfico pressupõe que você trate suas leituras como fonte – que o pesquisador já tenha a fonte e ele deve questionar a maneira como aquele outro historiador chegou àquelas conclusões. Agora tratar um assunto diverso no passado ou presente, eu acho que é ruim um trabalho que não apresente fontes. Mesmo porque eu vejo que esse é o trabalho mais gostoso do historiador, as outras partes são bem trabalhosas como a narrativa, estruturação do texto a parte boa é o pesquisador se debruçar sob as fontes

Marcelo Brito: Dependendo da época e dependendo da temática, pode ser muito difícil o pesquisador ter acesso a fontes primárias. Por isso eu não invalido (...) um trabalho que priorize uma discussão bibliográfica sobre determinado tema. (...) Eu sinto que ainda existe na História – isso se tratando de uma opinião minha – a hegemonia do que chamo de “paradigma do detetive” – um bom historiador é aquele que consegue descobrir fontes desconhecidas. Esse é um paradigma já clássico. No entanto, eu também prezo muito uma outra opinião, uma outra concepção, que é o “paradigma do analista” – que é aquele historiador que consegue voltar às fontes já conhecidas e a partir de uma análise aprimorada retirar novos sentidos que ainda não estavam sendo abordados. Às vezes um aluno revisita uma fonte velha e conhecida e alcança sentidos incríveis, tanto sobre o passado que investiga como para o presente de onde fala.

Álvaro: Eu vejo que o problema quando o pesquisador vai tratar das fontes é o problema de erudição e também a ausência de ingenuidade. Por exemplo, se o pesquisador for a um arquivo como em Portugal, lá ele encontra nos documentos com “LX”. São vários documentos com essas letras LX, pois essa era a forma que os escritores dos documentos chamavam Lisboa. Nesse pequeno exemplo, podemos reparar que se o pesquisador estiver desprovido de erudição, de conseguir compreender a linguagem originária, ele consegue fazer uma leitura dessas fontes. Numa entrevista de Carlo Ginzburg ele diz que chegou a encontrar os documentos do Menocchio e ficou durante sete anos pensando em como se apropriar e utilizar daquelas fontes, para daí escrever o livro – O queijo e os vermes. Então a questão central em lidar com as fontes é a erudição. Além da descoberta o pesquisador deve entrar com sua hipótese, mas essa ancorada na erudição.

Juliano Pirajá: Nesse sentindo não sei muito bem se existe um trabalho sem fontes.

Marcelo Brito: Inclusive quando o pesquisador está trabalhando com algum autor, muito provavelmente esse autor já fez um trabalho com fontes.


A paixão do historiador sobre a leitura das fontes.
** O trabalho pelo o qual o professor Juliano se refere são leituras de algumas edições do jornal: Matutina Meiapontense, cobrado em História Regional pelo professor Fábio Santa Cruz.

Juliano Pirajá: Nesse exercício que o professor Fábio cobrou para o terceiro ano, por exemplo, quem não gostou é o suicídio acadêmico. Você pode não gostar do assunto tudo bem, cada um segue o seu caminho. Agora você não “se surpreender” com uma leitura de uma fonte de mais de 200 anos, aí o acadêmico tem que se perguntar que tipo de historiador ele quer ser. Eu acho que o historiador tem que se surpreender com esses tipos de fonte, falar: “olha que interessante essa frase, o que será que ele está querendo dizer? Quem será que é esse sujeito? Quem escreveu isso?”

Álvaro: Eu me lembro de uma experiência, tive que fazer uma linha de pesquisa para o professor, já falecido, José Ronaldo Teles aqui da UEG. Estávamos fazendo uma pesquisa aqui em Formosa no arquivo, mas havia em um calor bastante forte e tinha um casamento do lado, então era uma cena maluca. Só que de repente o professor começou a rir, eu perguntei para ele o que tinha visto e ele mandou eu lê, era muito difícil de entender, pois era um documento do século retrasado, mas dava para entender um trecho: “duas panelas de escravo.” Diante disso o professor achou todo um desdobramento e ele achou graça disso. Portanto, eu acho que se não tiver esse espanto, essa paixão o historiador perde o seu oficio.


Porque ninguém comenta sobre o PIBQ?

Álvaro: Primeiro é liberado para Anápolis e Goiânia e o que sobra eles dão para outras unidades. O que eu acho que falta aqui é uma força estudantil que exija essas questões. Nós somos a terceira maior Unidade em número de alunos e a gente não tem um PIBQ aqui em Formosa é de estranhar. Então aqui em nossa Universidade “se você não chorar, você não vai mamá.”

Juliano Pirajá: O problema existe. Nós somos, por volta de 28 mil alunos na UEG e a gente vê disponível a cada seleção o PIBQ que é via CNPQ, o PVQ que é voluntário e mais algumas bolsas da UEG. Esses juntos não dão um total de 300 bolsas. O que acontece é que há um processo de seleção e esse processo se dá de diferentes formas, o aluno e o professor são avaliados. Todos os professores de nossa Unidade, todos eles, estão livres para uma ou duas vezes por ano para propor um projeto de pesquisa. Ou seja, todos os professores podem associar alunos para esse tipo de pesquisa, seja para o programa voluntário ou para a bolsa. O programa voluntário geralmente, isso se o projeto atender os requisitos necessários será aprovado. Aqui em nossa Unidade eu nunca vi barrar uma pesquisa se quer, todas são livres como deve ser. Vamos ser avaliados por outro alguém que ira cobrar se a gente está escrevendo direito, sendo claro, sendo obvio. Agora para bolsas com remuneração a concorrência é maior e isso nos dois níveis tanto para os professores, quanto para os alunos. Agora quando ocorre essa junção de um professor já doutor e um aluno com histórico de boas notas (10), o projeto é praticamente aceito.
Voltando para a pergunta do porque que a gente não comenta isso aqui na UEG; primeiro porque não somos incentivados a falar sobre isso. Então muitos de nós professores estamos para contribuir em carga horária, agora isso pode mudar se houver mudanças nos modelos de avaliação, mas isso não depende exclusivamente da vontade de alunos e professores. Depende sim da vontade de alunos, de professores, de auxiliares administrativo, do estado e da direção da UEG para discutir isso com seriedade sobre essas bolsas. Agora se o aluno tem um projeto de pesquisa ele deve procurar um professor, agora se o professor vai trabalhar com ele no projeto de pesquisa é outra coisa. O professor não é obrigado a aceitar qualquer aluno e nem o aluno obrigado aceitar qualquer projeto vindo de algum professor; na relação boa entre professor e aluno eles podem se dialogar e procurar uma bolsa de pesquisa para ser remunerado, agora depende muito do aluno se manifestar. Tem que haver essa relação, a cobrança dos alunos sobre esse PIBQ, pois essa é a primeira conversa que estou tendo sobre pesquisa há dois anos na UEG. Eu tinha, mas quando eu organizava, por isso é necessário a manifestação do aluno.


Como o C.A pode agir ativamente para a reivindicação dessas pesquisas?

Álvaro: O centro acadêmico possibilita esse intermédio fundamental. Por exemplo, recepção dos alunos calouros na Universidade, é um problema grave porque se recepcionam eles com o trote. Qual a recepção, se vocês estivessem restituídos em uma organização estudantil, que seria ideal. Pegar todos os problemas da UEG, todas as soluções, todos os benefícios da Universidade e ir apresentando para os alunos desde o primeiro ano. Em forma de informativo explicar tudo o que compõe a Universidade, pois essa apresentação que você tem em qualquer Universidade. Isso não é um dever da instituição, falando do corpo docente ou do administrativo, mas uma apresentação própria dos alunos, então seria uma comunicação entre vocês.

sábado, 18 de junho de 2011

Livraria Ponto de Luz

São muitas as frases que tentam definir e interpretar a verdadeira importância dos livros para a humanidade. Tamanha é a necessidade da leitura que escritores e filósofos expressão seus sentimentos por esses que é o maior bem para o conhecimento humano.

  • Para a escritora Clarice Lispector o livro é uma fidelidade com o amor:

“Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante.”

  • O filosofo Friedrich Nietzsche fez a seguinte reflexão:

“Os leitores extraem dos livros,consoante o seu carácter,a exemplo da abelha ou da aranha que,do suco das flores retiram,uma o mel,a outra o seu veneno.”

  • Por meio de leituras que Benjamin Fraklin se auto define:

"Livros e solidão: eis o meu elemento."

  • Pergunte a Bill Gates o que seria das tecnologias sem os livros:

“Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história.”

  • E também os escritores Mário Quintana e Carlos Drummond de Andrade, reconhecem a importância da leitura fazendo as respectivas criticas:

“Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem.”

“A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede.”

ABC Shopping

Eis as engenharias das palavras, todas com o intuito de expressar os sentimentos pela leitura. Portanto devemos ressaltar que na cidade de Formosa – Goiás, existe também o ambiente dos livros, capaz de enriquecer nós estudantes e a todos que buscam nas leituras uma forma de prazer, angustias e companhias. A livraria Ponto de Luz, muito mais do que uma patrocinadora, é um templo de leitura que desenvolve a capacidade humana de se desenvolver intelectualmente.

Por fim a frase do argentino Jorge Luis Borges...

"Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria."


Endereço: Livraria Ponto de Luz, rua: Visconde de Porto Seguro. Na galeria ao lado do banco Itaú - agencia de Formosa

terça-feira, 14 de junho de 2011

O historiador é um sujeito triste?

Durante o curso de Historia, os estudantes se deparam constantemente com as pluralidades de valores ou de sentido. Você deve estar se perguntando: o que esse cara está falando? Simples. Que tudo aquilo que aprendemos sobre o passado do homem, ao ser analisado, debatido e revisto na universidade, passa a ter um novo sentido. Eu mesmo pensava a História e o passado como a mesma coisa.

Para muitos colegas de curso essa questão é mais dramática ainda, já ouvi de muitos que a História “desconstrói muitas verdades”. Não creio que ela tenha essa pretensão, mas o fato é que cada vez mais ouço dos colegas de curso (e até de mim mesmo!) um discurso sobre a falta de sentido. Alguns como: “Tudo é interpretação,” “A verdade não existe” e muitas outras que não lembro no momento, mas você sabe do que estou falando, já deve ter ouvido pelo menos uma dessas pérolas também não é?

Recentemente, conversando com um colega em um boteco, dentre das inúmeras conversas típicas de bar, acabamos (por efeito dionisíaco) falando sobre a Historia. Até aqui tudo normal, nada mais comum do que historiadores em seu antro falarem de historia, o problema surgiu quando em umas dessas “desconstruções” meu colega disse que eu estava ficando existencialista. Ótimo, agora a cagada estava feita! Eu que já vivia cheio de perguntas tinha agora mais uma: O que é um sujeito existencialista? Não que ele não tenha tentado me explicar, ele tentou, tentou, e tentou... mas sabe como são os historiadores, gostamos de fontes e daquelas com “F” bem grande! Foi assim que uma conversa deu inicio a mais uma pesquisa.

Inicialmente fiquei com a impressão de que tudo o que era negativo era existencialista. A falta de sentido único nas ações humanas. A falta de perspectiva, o vazio. Quem nunca se deparou com aquelas velhas questões: Por que vivemos? Existe vida após a morte? Deus existe? Para mim o existencialismo era como “O lado negro da força”, muito perigoso para si e para todos. Até então tinha compreendido meu colega:

“Ah sim! Ele me chamou de existencialista por conversamos sobre coisas negativas, tristes”.

Nem tão simples. Meu colega estava equivocado, a pesquisa revelou que existencialismo não tem nada a ver com uma filosofia negativa. E nós historiadores não somos tristes (ou pelo menos não deveríamos ser).

Jean Paul Sartre
Dentro do existencialismo me deparei com duas perspectiva: uma cristã representada por Karl Jaspers e Gabriel Marcel e outra ateísta com Heidegger e Sartre.

O ponto em comum entre essas duas perspectivas (a partir disso que as coisas começaram a ficar claras para mim) é a de que, a existência humana precede a essência. Confuso? Vamos por partes.

Pensemos nos Irmãos Wright, que foram os criadores do avião (deixemos a polêmica do Dumont para outra ocasião). Antes de o avião ser projetado, eles já tinham uma idéia em mente, referências outras que lhe indicavam como tornar a idéia em matéria. Por mais que para nós os vendo daqui do presente esta criação possa demonstrar certo domínio do homem sobre a natureza guiado pela razão e pelo progresso, devemos concordar que para aqueles tempos (1903) pensar em sair voando em uma “caixa de metal” é uma idéia um tanto estranha. Contudo, conseguiram materializar a ideia. Assim, nesse caso, o avião que era antes de tudo uma essência (idéia, projeto, referencia, sonho) acaba por finalmente ganhar existência.

Nós estudantes, no cotidiano, nos deparamos com essas essências, estas tentativas de chegar à existência dos fatos. Vai dizer que ao ler um Le Goff, você nunca imaginou está se aproximando pelo o que ocorreu durante a Idade Média? Eu já, você não?

A “desconstrução” começa, quando nos deparamos com a pluralidade de sentido acerca do passado. Que não existe a metodologia, mas metodologias. Assim acabamos por voltar..., então quer dizer que tudo é subjetividade? Nem tudo.

Como falei inicialmente, A EXITÊNCIA PRECEDE A ESSÊNCIA. Nessa teoria sartriana, qual essência antecede a existência do homem? Deus? Será que Deus pensou uma definição técnica e Voilá: eis ai o homem? Não vai ficar triste hein!

O existencialismo é mais coerente, podemos afirmar com segurança, se existe um ser que pode ser definido ante de qualquer coisa essência (conceito, idéia) esse ser é o homem. Heidegger diz que é a realidade humana. “Penso logo existo” dizia Descartes, por acaso você duvida que exista? Para além do que você possa definir a si e as coisas, você existe enquanto ser pensante e isso é uma verdade absoluta.

Inicialmente não somos nada, só posteriormente seremos alguma coisa, a partir do momento que nos definimos como tal. Assim temos umas das premissas do existencialismo “o homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo”

A Historia para March Bloch é o oficio do historiador. Assim a História, na perspectiva de Bloch, existe enquanto há um sujeito engajado em tal oficio, ou seja, em lidar com fontes e metodologias.

Assim somos antes de tudo aquilo que estamos engajados a fazer. Somos a própria ação, e é esta que nos define. Talvez isso seja a fragilidade do conceito de identidade, pois posso fazer “n” coisas de acordo com minha escolha. Não sou um recorte, e por isso, tenho essa possibilidade de escolha que, talvez, venha a assustar muitas pessoas. Que decisão tomar?

O existencialismo sartriano diz que não há moral ou ideia que pode dizer o que é melhor para cada um. Nós, por mais que sejamos movidos por questões sociais, políticas ou religiosas, somente em nós mesmos poderemos escolher qual é o melhor caminho, pois nenhuma essência nos é anterior. Sendo assim, não podemos escolher o mal para nós mesmos se fazemos uma escolha é por que ela tem um valor para nós, nos representa algo. E é por isso que surge a tendência ao subjetivismo, pois não podemos afirmar que tal ideia, visão ou concepção de mundo é melhor do que outra. Somente podemos assumir a responsabilidade por aquilo que acreditamos ser o melhor para nossas vidas.

Não precisamos ficar “desconstruindo”, ou melhor, pluralizando os pontos de vistas. As teorias, as ideias estão em circulação, cada vez mais acessíveis, não precisamos cair na “tristeza” da quietude. Podemos exercer nossa liberdade na escolha. É nesse momento individual e de “desamparo”, como diz Heidegger, que podemos construir a realidade. Esperanças, sonhos, esperas são coisas inúteis, viva seu projeto, atinja sua meta, viva seu sonho é assim que o existencialismo torna a vida possível. Transformando idéias em atos, só a ação permite o homem viver.

Portanto, acredito que a “tristeza” que muitos vêem nos historiadores como meu colega o fez, tem haver com a pratica de nosso oficio, sempre queremos apreender mais sobre o nosso objeto, sem juízos de valor, mas isso não quer dizer que sejamos niilistas, céticos e tristes, somos antes tudo profissionais, e se escolhemos uma teoria e aplicamos em nossas vidas ou até mesmo nos resignamos, estamos exercendo uma escolha, o nosso ponto de liberdade. Assim, sempre se lembre daquele ditado popular: “nunca vá na conversa de bêbado”.


Dedico esse artigo aos professores Alvaro Regiani e Juliano Pirajá e aos colegas Lucas Alves e Marcos Dias que indiretamente me incentivaram a escrevê-lo.

Criticas e sugestões são muito bem vindas!


Otávio Marques Vasconcelos estudante de História UEG.